ago 25 2008
Lanchinha de Carreira
Nada mais frugal do que pegar uma lanchinha da carreira,
atravessar a Baía de Todos os Santos e ir pra Mar Grande. Principalmente no verão, quando a fila deste transporte costuma percorrer meia cidade baixa. Mas a ilha é um paraíso e, como dizem, pra conhecer o paraíso, é preciso passar pelo purgatório.
Pra começar, uma curiosidade: ninguém sabe porque se chama “lanchinha”, muito menos “da carreira”. Afinal, trata-se de um barco grande de madeira do qual, sem muito esforço, seria possível ultrapassá-lo a nado.
Quando as pessoas falam que vai gato, cachorro e periquito, não é metáfora. A aventura começa quando o “staff” abre o estreito portão de acesso ao píer de embarque. A sensação que se tem é que estavam todos presos em uma casa pegando fogo há pelo menos 2 horas e uma porta se abre. As pessoas correm desesperadas, gritos de sai da frente, empurrões, carrinho-de-mão derrubando manga pelo chão, gente escorregando, mãe puxando menino pelo braço.
Esse é o estágio 1.
Ultrapassado o portãozinho, começa o estágio 2. Apesar do espaço aumentar logo no início do píer, não há tempo para comemorar: uma ponte ainda mais estreita aguarda os passageiros. O corre-corre tem fundamento: a capacidade da lanchinha deve ser algo em torno de 120 pessoas. Embarcam umas
300.
Existe uma forma alternativa de ultrapassar este estágio e galgar preciosas posições – artifício normalmente utilizado pelos nativos da ilha.
Como se fosse um lançamento de disco olímpico, eles arremessam sua bagagem para além-ponte. Para esta manobra é necessário destreza, já que o espaço do outro lado é pequeno e você corre dois riscos: atingir algum passageiro ou ver seus pertences afundarem no mar.
Este plano B é perigoso porque, depois de “despachar” sua bagagem, é hora de você sair pulando pelos barcos atracados até chegar à sua embarcação. Sem o impulso suficiente seu destino é a água.
Estágio 3. Ok, você chegou diante de sua preciosa lanchinha.
É hora de disputar o tão sonhado embarque com o menino do “menduins”, o menino da paçoca, o menino da gelada, o menino do nêgo bom, o menino da mineral, o menino do “halles” e o maldito cara do carrinho-de-mão das mangas.
Agora, é conquistar na cotovelada os seus 10 cm de banco. Se você for bom no chega pra lá, tente disputar os bancos na sombra. Caso não se garanta, contente-se em pegar um bronze.
Ótimo, a lancha vai partir. O marinheiro vai soltando as amarrações, mas, sem esboçar surpresa, assiste mais uns 3 passageiros correndo pelo píer e se atirando para dentro do barco. A viagem enfim começa.
Nas primeiras marolas do mar calmo da baía, a lanchinha se comporta como um João-bobo, balança de um lado pro outro, provavelmente desestabilizada pelo excesso de peso. Mais pro meio da baía, as marolas viram pequenas ondas. O suficiente para o show de engulhos começar. Se pra dançar créu tem que ter habilidade, imagine pra desviar de vômitos vindos de todos os lados em um barco
que você mal consegue se mexer. E como sensibilidade não é o forte de vendedores ambulantes, os caras saem gritando entre o povo passando mal: “olha o menduins torrado!”.
Vencidos os inacabáveis 15 km que separam Salvador da ilha, aproximando-se da ponte de desembarque, outra cena inusitada dá início ao 4º e último estágio: quem estava passando mal se recupera automaticamente e um novo estouro de boiada acontece pra sair da lancha. Depois, é simples. Basta driblar os meninos que pedem pra carregar sua sacola por uns trocados, entrar numa “kombis” com mais de 15 pessoas dentro e aproveitar um verdadeiro pedaço de céu na terra.
Ah, eu amo a ilha de Itaparica.
A senhora minha tia Reveca - ela faz questão que eu escreva seu nome quando a menciono. Está certa, afinal são (do lado da minha 

Mais uma recebida por
Antes de qualquer coisa vou logo avisando aos MACmaníacos:
Esta eu recebi por e-mail. Segundo o próprio esta placa REALMENTE existe!



